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A História de Shantell

A História de Shantell

Olhamos o céu para ver a liberdade dos pássaros, para admirar o formato das nuvens ou pedir trégua ao sol. Pedimos aos céus que realizem nossos desejos, que os anjos ouçam nossas preces. Às vezes, os anjos estão do nosso lado e não nos damos conta. Porém, sempre que podem, eles acendem até as nuvens para admirar a vista da humanidade e nos resguardar. Essa é a história de Shantell.

Nascida com um cromossomo a mais, ou Síndrome de Down, a americana Shantell tem 17 anos e vive numa ponte aérea entre Columbia, localizada no estado de Carolina do Sul, e o Hospital Infantil de Cincinnati, no estado do Ohio. Shantell tem mais de 57 viagens de avião, motivados por problemas de saúde como laringomalacia, traqueomalácia e malácia da traqueia, que comprometem 87% de suas vias aéreas.

Os constantes voos dão asas a uma menina acostumada com as pedras no caminho. Tão cedo, conseguiu seu primeiro emprego no início do mês de abril como comissária de bordo da American Airlines no Aeroporto Metropolitano de Columbia. Seu primeiro dia de trabalho foi logo no seu aniversário, quando apareceu com o uniforme da empresa e acompanhada de seus orgulhosos amigos e parentes. Se frequentemente olhamos para cima desejando realizar nossos sonhos, Shantell parece ter descoberto mais cedo que a maioria que seu lugar era na imensidão azul da troposfera.

Apesar das limitações e da delicada saúde, a jovem é inspiração para pessoas na mesma condição. Vermos sua quebra de barreiras virar notícia é admirável, mas, ao mesmo tempo, nos faz pensar que casos como esse não deveriam ser notícia. A inclusão social é um fator que tem que ser encarado como natural.

No Brasil, a Lei de Cotas para PcD (Pessoas com Deficiência), sancionada em 2015, exige que empresas de grande porte, com 100 ou mais funcionários, deve preencher de 2% a 5% dos seus cargos com pessoas com alguma perda ou anormalidade de uma estrutura, função psicológica, fisiológica ou anatômica que gera incapacidade para desempenho de atividade. Ou seja, em pelo século XXI, é necessário que exista uma lei para que pessoas com capacidades diferentes de interação e raciocínio possam entrar no mercado de trabalho.

Contrariando todas as estatísticas, a jovem Shantell saiu do papel de passageira para o de aeromoça distribuindo carisma dos corredores do aeroporto até a cabine do piloto. Sua mãe, Deanna Miller Berry, criou a ONG (Organização Não Governamental) Saving Shannie Foundation com o objetivo de ajudar crianças de áreas carentes com necessidades especiais não-verbais com tablets customizados gratuitos. Cada tablet tem um software específico para atender as necessidades de cada criança a se comunicar de maneira efetiva com a sociedade. A fundação também fornece ajuda para custear despesas médicas.

As asas do avião da American Airlines são as asas do anjo chamado Shantell. Pequenas atitudes como a da companhia aérea de empregar a jovem provam que uma empresa pode fazer muito mais do que apenas pensar no lucro, mas também contribuir com ações humanitárias que contribuem para o bem-estar social. Você pode acompanhar a jornada de Shantell, sua mãe e a fundação pelo instagram.com/savingshannie.